
Vivo uma vida dupla. Perto de outras pessoas comporto-me como sempre. Bem disposta, mau feitio, empenhada, irritável, arrogante e com a sensibilidade á flor da pele. Ninguém diria que por dentro me sinto desfeita. Os melhores amigos sabem que algo está errado, quando perguntam digo-lhes, os outros que não perguntam sabem só que ando com o olhar mortiço e longe. Continuo a rir como dantes, mas não a sorrir, dizem ...
Ninguém sabe o aperto que tenho no peito e que me faz querer deixar de respirar. Poucos seriam capazes de compreender.
Tenho medo de chegar o dia em que não consiga levantar-me e erguer a cabeça para viver o lado B, para viver a personagem que já está mecanizada.
Tenho saudades de mim, e dele tantas. A ideia do "nunca mais" apavora-me. Porque meti na cabeça que o sentido da vida está nos olhos dele, que o amor mora nos beijos dele.
Mais que a ausência, mais que a separação, dói que ele nunca tenha sentido o suficiente, nunca tenha gostado de mim o suficiente, e que eu nunca tenha sido boa o suficiente para lhe merecer uma oportunidade.
No domingo o Rui faz anos e vamos passar o dia todo fora, quarta-feira tenho reunião com a professora e a psicóloga que está a acompanhar o meu puto.
Sabes Paixão, tudo isto seria tão mais fácil de suportar se estivesses aqui comigo ...